Blog das PME´s

22/03/2012

Planejamento Estratégico – Qual é o seu negócio ?

Por:  Marcelo Nakagawa (*)

Por mais incrível que pareça, em pleno século 21, muitos empresários não sabem em que negócio atuam. Isto vale para as grandes organizações e muito mais para empreendedores de negócios de pequeno porte. Por esta razão, o artigo Miopia de Marketing, escrito por Theodore Levitt e publicado pela Harvard Business Review em sua edição de Julho-Agosto de 1960, um clássico da literatura de negócios, ainda continua atual.

Mais de 50 anos depois, muitos empresários, executivos e empreendedores continuam míopes. Será que você é um deles? Teste seu nível de miopia:

Qual é o negócio destas organizações brasileiras?

•          CacauShow:               ____________________________________

•          Natura:                       ____________________________________

•          Bematech:                  ____________________________________

•          Localiza Rent a Car: ____________________________________

Se respondeu chocolates, cosméticos, automação comercial e aluguel de veículos, seu nível de miopia é alto.

Em 1960, Theodore Levitt, professor da Universidade de Harvard, se perguntava por que as empresas ferroviárias e as cinematográficas, que eram ícones da economia americana, tinham perdido tanto terreno – muitas, inclusive, desapareceram. A resposta, um tanto quanto óbvia, era que as empresas ferroviárias se enxergavam no negócio de ferrovias e as cinematográficas, no negócio de cinema. E não no mercado de transportes e entretenimento, respectivamente.

Quando Alexandre Tadeu da Costa fundou a CacauShow em 1998, ele até vendia chocolates. Mais precisamente ovos de chocolate, seu primeiro produto. Mas depois de alguns anos, o logotipo da empresa passou a trazer a mensagem “Qualidade sempre presente”, que depois foi alterada para “Aqui é fácil fazer alguém feliz”. Sabiamente, Alexandre posicionou a empresa no negócio de presentes, que é muito maior que o de chocolates. Todos nós, em algum momento do ano, precisamos dar um presente ou uma lembrancinha para alguém.

Desde 1969, Luis Seabra tinha um sonho: aumentar a autoestima das mulheres por meio dos seus tratamentos cosméticos. Para isto fundou a Natura. Em 1989, a empresa fez um pequeno ajuste no negócio em que atuava: de autoestima, passou a atuar no negócio de bem estar/estar bem.

Quando os jovens Marcel Malczewski e Wolney Betiol juntaram suas dissertações de mestrado em engenharia em 1990 para criar a Bematech, não imaginavam que sua startup seria a líder em automação comercial. Mas só chegaram lá porque acreditaram que estavam – e ainda estão – no negócio de tornar o comércio mais eficiente.

Em 1973, no auge da crise do petróleo, Salim Mattar sabia que só teria sucesso se oferecesse mais do que aluguel de carros. Para isto pensou em diversas facilidades, inclusive atendimento 24 horas, sete dias por semana, mesmo que tivesse que dormir na loja. Desde então, o negócio da Localiza tem sido contribuir para o sucesso dos negócios e lazer dos clientes com eficiência.

Empresários míopes acham que estão no negócio do produto em si. Alguém que abre uma doceria acha que vende doces. Empreendedores visionários acreditam que estão no negócio do benefício do produto e vislumbram um horizonte muito mais amplo, inspirador e desafiador. Neste caso, a doceria estaria no negócio de comercializar momentos de prazer e alegria (é claro que por meio dos doces). Qual doceria tornaria a sua vida mais doce?

(*) Marcelo Nakagawa é professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper

Fonte: Revista HBR  Harvard Business Review Brasil

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13/03/2012

Cuidados para não cair na malha fina do Leão

A maioria dos contribuintes não sabe, mas a Receita Federal do Brasil cruza informações de 26 declarações diferentes para conferir se o Imposto de Renda foi preenchido e declarado corretamente, se não há divergências de informações e se o contribuinte está tentando pagar menos imposto do que deve.

Qualquer informação desencontrada pode levar o contribuinte para a temida malha fina. E, caindo nela, se as explicações exigidas não forem convincentes as multas são pesadas. Para evitar este tipo de situação, o contribuinte deve reunir criteriosamente toda a documentação relativa às transações financeiras e patrimoniais realizadas em 2011. Com a informatização da Receita Federal, os controles passaram a ser extremamente rigorosos e qualquer informação não prestada ou em desacordo é objeto de fiscalização.

O contribuinte precisa estar atento às informações declaradas. Por exemplo, os bancos precisam informar à Receita todas as operações realizadas pelos seus clientes. A movimentação financeira em bancos deve ser condizente com as receitas declaradas. Se o contribuinte recebeu R$ 30 mil durante o período, mas movimentou R$ 300 mil em sua conta, o Fisco saberá e cobrará explicações.

O contribuinte tem que ficar atento na hora de declarar, pois os dados por ele preenchidos são cruzados conforme:

Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, tem o objetivo de informar o valor do imposto retido na fonte pagadora, isto é, os rendimentos pagos ou creditados em 2011 para seus beneficiários.

– Outra importante declaração que feita é a Dimob – onde as imobiliárias, construtoras ou incorporadoras informam todas as operações reais de geração de renda, aluguéis e valores da venda e compra de imóveis.

– Tem também a Dimed, ela obriga que todas as pessoas jurídicas que prestam serviços na área de saúde listem cada pagamento feito por seus serviços, indicando nome e CPF para que haja um cruzamento entre a declaração de renda do contribuinte e as informações da empresa de saúde.

O contribuinte também deve estar atento ao lucro obtido no mercado de capitais. Ele precisa detalhar a lucratividade de cada operação em bolsas e ainda haverá cruzamento entre imposto de renda devido e restituído. Portanto, todas as movimentações financeiras e patrimoniais devem ser informadas na Declaração de Renda, com seus valores em coerência com os informados por terceiros para a Receita Federal, para evitar surpresas desagradáveis no futuro.

O programa da Receita é prático e hoje podemos dizer que é relativamente fácil fazer sua declaração, mas se ficar na dúvida e não quiser ter problemas, o melhor caminho é sempre procurar um profissional para fazer a declaração de Imposto de Renda.

Bons negócios,

Laecio Barreiros

http://pensandogrande.com.br/cuidados-com-a-malha-fina-do-leao/

06/03/2012

A visão estratégica no futebol

Por: Jan Eichbaum (*)

 

Já que vivemos no país do futebol, vamos analisar a situação dos clubes nacionais e o que vem acontecendo nos últimos anos.  Apesar de termos a seleção pentacampeã mundial e o Brasil ser considerado um celeiro de craques, vemos nossas agremiações enfrentarem crises financeiras, perderem ótimos jogadores para clubes do exterior e obtendo exposição internacional muito baixa. Como um esporte que é a paixão nacional e movimenta bilhões em recursos pode viver esse cenário ano após ano? Como os clubes europeus podem ser tão mais estruturados e estarem anos-luz à frente de nossos clubes?

Recentemente, essa situação começou a mudar, quando os clubes passaram a entregar áreas importantes (como as de marketing, medicina, condicionamento físico e de gestão tecnológica e administrativa) para profissionais ou empresas com expertise e visão estratégica. Tais especialistas atuam como detalhistas de seus setores, contribuindo para melhorar a dinâmica da gestão das agremiações. A partir de então, temos visto diversos clubes brasileiros se reestruturando, apostando em ações e estratégias de marketing, trazendo de volta grandes craques, aproveitando o valor de seus principais símbolos, mobilizando e estimulando as torcidas e criando as mais diversas ações que evidenciam sua presença e reforçam os pilares que dão sustentação a sua administração, redundando na sustentabilidade e no equilíbrio dessas verdadeiras instituições nacionais. Com a contratação de especialistas para tocarem as atividades de retaguarda – utilizando tecnologia para avaliar e acompanhar o desempenho de seus atletas, para produzir estatísticas sobre a atuação dos adversários ou para permitir um melhor planejamento da preparação física, técnica e tática – os clubes podem se concentrar naquilo que interessa mais: o futebol e o principal objetivo que é a conquista de campeonatos e torneios, isto é, o “core business” dos times.

Aproveitando a referência, toda empresa possui um core business e, independente de qual ele seja, processos contábeis, fiscais, folha de pagamento e rotinas do departamento financeiro são algumas tarefas essenciais para sua sobrevivência, que consomem tempo, recursos e esforços para serem mantidas funcionando com eficiência.

 

Neste momento imediatamente posterior à grave crise financeira internacional vivida em 2008/2009, ao recrudescimento de problemas na economia global e diante dos grandes desafios que se apresentam para o mercado no breve futuro, torna-se essencial que as empresas estejam preparadas e em constante atualização. E é aí que surgem as terceirizações de áreas internas, que estão enquadradas sob um termo emprestado do inglês: Business Process Outsourcing (BPO).

O objetivo principal das empresas que adotam esse processo é contar com especialista para prover serviços dedicados a tarefas específicas, não ligadas ao chamado core business, para garantir que os maiores esforços e o foco das organizações sejam direcionados ao seu objetivo primordial. Construir uma parceria de BPO pode trazer inúmeros benefícios aos empreendimentos. É claro que um item primordial na lista da maioria das empresas que procuram por esse tipo de parceria é a redução de custos. Mas os benefícios não param por aí: a escolha dos melhores profissionais – com qualidades já conhecidas pela contratada – para atuar no cliente também é um diferencial. Para atingir um status de excelência e prestar serviços de qualidade e com diferenciais para seus clientes, as empresas que oferecem serviços de BPO mantêm-se em constante atualização.

Nos últimos anos, o Brasil e o mundo têm convivido com transformações e novas regulamentações das áreas fiscal e contábil, sendo cada vez mais necessária a atualização e treinamento de profissionais, o que se torna muito oneroso para empresas não especializadas. De pequenas empresas às grandes corporações, a tendência é que todos os empreendimentos necessitem se adaptar aos novos procedimentos de controle e aos padrões contábeis internacionais (IFRS, ou International Financial Reporting Standarts), cuja implantação vem se consolidando no Brasil desde o final de 2007. Além disso, vale destacar que, de tudo que os serviços de BPO têm a oferecer às empresas, talvez o maior benefício seja propiciar uma visão estratégica especializada colocada em prática. Afinal, o melhor caminho em tudo (do futebol à gestão de empresas) é não se limitar a fazer o básico, mas sim apostar em novas ideias, diferenciais e soluções inovadoras, que, em geral, estão mais presentes no campo dos especialistas. Voltando ao futebol, os clubes que estão se reestruturando já formaram grandes equipes ou ganharam títulos de expressão?

Nem todos, mas, certamente, têm constituído os alicerces de sua sustentabilidade, o que tende a trazer resultados no futuro. É importante também destacar que um serviço terceirizado ajuda em diversas áreas da empresa. Entretanto, o sucesso desta não depende apenas de uma boa gestão formal.

A empresa deve ter claro seu foco de atuação e seus objetivos para que o BPO possa ajudar a alcançá-los. As empresas brasileiras estão vivendo neste momento um amadurecimento que tem sido estimulado inclusive pelo crescimento do uso de serviços técnicos especializados, e muitos gestores têm percebido que a transferência da gestão de alguns serviços é uma peça-chave para que as corporações ponham em prática uma governança corporativa equilibrada.

 

Avaliar essa estratégia é, portanto, uma importante decisão para os gestores empresariais.

 

(*) É sócio da área de Business Process Outsourcing da KPMG no Brasil.

 

Fonte: KPMG

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